Queda do dólar: sinais de cansaço


O dólar vem caindo dia a dia desde março. As quedas não são acentuadas, mas são gradativas deixando o valor do dólar sempre apontando para baixo, o que pode significar não uma flutuação, mas uma contínua e leve queda. O que acontece é que essa "leve queda" vem persistindo dia após dia. Há os seus dias de alta, não podemos negar, mas depois vem outra maré de baixa e não apenas anula a alta que teve como coloca-o em um patamar mais baixo do que antes. E assim segue o dólar lentamente descendo a ladeira.

O dólar não é apenas a moeda corrente dos EUA, o dólar é também uma mercadoria. Toda vez que uma pessoa resolve comprar ou vender dólar, ele deixa de ser moeda e assume o papel de mercadoria. E além de ser a moeda norte americana e mercadoria, o dólar é também a base de um sistema monetário internacional, responsável por quase todas as transações comerciais feitas no mundo.

No entanto, o sistema monetário internacional baseado no dólar começa a fazer água. Lentamente alternativas vão sendo desenvolvidas. A primeira delas foi a criação da moeda única do Mercado Comum Europeu, sendo também a mais forte. Lentamente alguns países começaram a fazer as suas experiências, a exemplo de Brasil e Argentina que decidiram comercializar utilizando suas moedas, ou seja, o país exportador paga na moeda do país importador. Exemplos como esse começaram a ser vistos em outros lugares, principalmente nos acordos com a China.

Quando pensávamos que a Unasul já estava prestes a lançar sua moeda única, a ALBA se adianta e lança o Sucre, sistema virtual de pagamento para o intercâmbio intra-regional que busca substituir o dólar nas transações comerciais entre os países membros. Após a sua implementação, que será gradual, os países da Alba (Bolívia, Cuba, Equador, Venezuela, Dominica, Antigua e Barbuda e São Vicente e Granadinas) pretendem aplicar, ainda sem data definida, uma moeda comum, assim como o euro na Europa.

Todas essas alternativas tiram, com certeza, um pouco da força do dólar, mas a mais forte e talvez até bombástica foi a decisão anunciada até com um certo exagero pelo britânico The Independent, sob o título "The demise of the dollar" (A extinção do dólar), onde afirma que "árabes do golfo estão planejando - junto com a China, Rússia, Japão e França - deixar de usar o dólar nas transações que envolvam petróleo, mudando para uma cesta de moedas inclusive o iene japonês e yuan chinês, o euro, ouro e uma nova moeda unificada planejada para as nações do Conselho de Co-operação do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Abu Dhabi, Kuwait e Qatar."

Esse, se concretizado, será um verdadeiro "baque" para o sistema monetário mundial baseado no dólar. A moeda tenderá a se desvalorizar, ocasionando uma inflação nos EUA, e consequentemente, uma elevação do preço dos produtos estadunidenses (para não dizer um processo inflacionário). O que não significa dizer que terminantemente haverá um colapso hiperinflacionário.

Mas daí a dizer que o dólar está em seu leito de morte, é um grande exagero. The Independent não leva em consideração que para que o sistema financeiro atual morra, outro tem que substituí-lo. E não temos - pelo menos até agora - uma moeda capaz de substituir monetariamente o dólar. O euro é a moeda que mais reúne condições para isso, mas ainda está muito aquém, uma vez que a região do euro
possui altos déficits fiscais e endividamento.

Por outro lado a China dá mostras de querer desenvolver mercados financeiros com liquidez, mantendo a economia desses mercados sob o controle da economia chinesa. É o natural: é a necessidade junto com a falta de espaço, que obriga a países em grande desenvolvimento a crescer para dentro da economia de outros, tomando assim os mercados que antes pertenciam a esse outro, não sem antes uma guerra econômica entre os controladores de mercados.

Apesar de Robert Fisk afirmar que o dólar está em seu leito de morte, particularmente acho que o perigo do colapso do dólar é pequeno porque sua substituição por outra moeda é ainda menor. A tendência é a de que se use várias moedas nas diversas transações do mundo inteiro, inclusive o dólar, sob vários sistemas financeiros. O reinado do dólar está perto do fim, mas não significa que seja um rei moribundo.

As diversas economias ao redor do mundo têm seu lastro em dólar, o que significa que se o dólar "morrer", como anuncia Robert Fisk, os países mais ricos do mundo quebram. É claro que deve haver uma mudança. A própria cesta de moedas propostas pelos árabes do golfo e Cia. é uma saída, mas só faz sentido se uma das moedas contidas nela, for o dólar, porque até mesmo os árabes, a China, o Japão, etc. têm muitos dólares. Será que alguém tramaria contra o dinheiro que conseguiu ganhar, dinheiro esse que representa o desenvolvimento do próprio país?

1 Comentário

joselito bortolotto disse...

A teoria tem fundamento, mas não acredito em quebra, apenas como tudo neste mundo, o dolar aos poucos será substituido e isto vai ocorrer, mas não acredito em quebradeira ou coisa do gênero ... existem muito mecanismo de ajustes, só quebraria se houvesse um colapso imediato, tipo o cara andando de bicicleta é obrigado a parar mas não pode colocar o pé no chão .... então cai, mas acho que ele vai continuar pedalando o bastante pra não cair.