Tecnologia Excessiva

A tecnologia já é parte integrante de nossas vidas. A simples hipótese de ficarmos sem o celular, a internet ou até mesmo o antigo e prático controle-remoto da TV, já nos deixa desconfortáveis.

Podemos conviver com a falta de água por cinco horas, mas a falta de luz por quinze minutos é suficiente para desnortear uma família inteira. Ouvimos frases do tipo: ‘tinha que ser agora? Eu estava teclando com minha melhor amiga’ ou ‘na hora do futebol!’ e até ‘minha novela preferida, porque não falta luz de madrugada?’

É interessante como somos dependentes desses aparelhinhos e quando ficamos sem eles, não sabemos o que fazer. Falta-nos a criatividade para recorrer a outro expediente que resolva o problema imediato. O telefone público, bem embaixo do nosso nariz, nada significa quando acaba a bateria do celular. As brincadeiras em família quando ficávamos sem energia elétrica, ficam esquecidas e no seu lugar vem a indignação.

É assustador quando analisamos friamente a quantidade de parafernália tecnológica da qual dependemos e que não existiam há bem pouco tempo.



Um exemplo disso foi à situação pela qual tive que passar; a chuva incessante e o horário, me obrigaram a pegar um táxi dias atrás. Arrependi-me, deveria ter vindo de ônibus. Entrei no veículo e indiquei o caminho. Nesse momento o motorista ligou o carro e me senti dentro de uma nave espacial.

O painel do carro possuía uma complexa infinidade de comandos para ativar todas as lusinhas e néons; fundo verde e luzes alaranjadas, como se não fosse o bastante, havia um console entre os bancos dianteiros, com outra infinidade de inutilidades brilhantes. O rádio ligado, noticiava algo que eu não conseguia ouvir porque se confundia com a voz de uma moça do rádio-taxi que dizia números ininterruptamente.

O celular do condutor tocou no meio dessa confusão sonora, e ele falou com alguém por cinco minutos. Grudado ao console um GPS.

Os limpadores de pára-brisa ligados, devido à chuva intensa, a moça-rádio-taxi tagarelando sem parar, o condutor mudando a estação do rádio em busca de novas notícias e seus olhos alternando, como se estivesse vendo um filme legendado, entre as curvas acentuadas e o GPS, me fez pensar que estava sendo abduzida.




Essa situação nos leva a refletir sobre a real necessidade de tanta tecnologia em um espaço tão pequeno e principalmente, se ajuda ou atrapalha. Fiquei na dúvida, tive impulsos de pegar o volante e desligar todos os controles inúteis, tendo em vista que bastava ao condutor saber para onde eu estava indo, nada mais.

A respiração profunda e compassada me manteve calma durante a viagem e se eu pudesse, depois da corrida, iria passar uma semana inteira no campo, não só para desligar a inutilidade, mas também para sentir o prazer de uma vida simples onde a natureza é tudo que precisamos. Podemos saber se vai chover com a movimentação dos pássaros, acordamos quando o dia esta clareando e dormimos quando escurece. Se tivermos fome, basta pegar na horta ou plantação o alimento natural.

Voltar no tempo de vez em quando, nos torna livres, menos estressados e de ótimo humor.

9 comentários

arte-e-manhas.com disse...

Cris,
Agora fizeste-me rir! Aqui há tempos estive para receber um GPS de presente! ahahahah Isto porque eu sou muito distraída, e, normalmente perco-me nos caminhos. Claro que eu recusei! Ora essa! Então o que é um passeio sem um desvio?
Mas, de facto, há aparelhos dos quais somos dependentes e cuja utilidade é relativa. E, tens toda a razão no que respeita ao convívio familiar e jogos de mesa. Acabam por fazer-ses ó em férias e quando saímos de fim-de-semana.

Beijos
Luísa

S. Levy Lima disse...

tem certeza que era um táxi e não uma nave de abdução? ;-)

bolas, foi dose para dia de chuva!

bjs

Joaquim Freitas disse...

Cris,
Às vezes eu me pergunto, porque nunca dá ocupado quando eu ligo o número errado? A gente vai convivendo tanto, e cada vez mais com a tecnologia, que queremos dar-lhe vida, para não dizer vontade e inteligência.
Aqui em casa, todos temos telefone celular, além do telefone fixo. Mas se um dos telefones não está funcionando perfeitamente, tendemos a achar que estamos incomunicáveis, apesar de haver tantos outros telefones na mesma casa.
Jogos? Só se for no computador ou no celular. Até mesmo o gamão, xadrez ou damas estamos jogando no computador. Até mesmo não, isso é apenas o começo, pois já temos os e-books e aqueles aparelhinhos em formato de livro, que colocamos o e-book em sua memória e ele simula ser um livro: a tela mostra uma página que podemos passar adiante ou voltar. Começo? Ai meu deus! Lembrei-me agora que gosto muito de jogar sudoku. E tenho um aparelho de sudoku eletrônico. Onde vamos parar?

Alterado disse...

é verdade, há certas famílias que sem energia elétrica entram em colapso!kkk

eu não posso falar muito pois adoro um led !kkk
é só ver estas luzinhas para acender a minha curiosidade!

Adorei o post

Abraço

Castro Digital disse...

Não vivo sem meu computador nem meu celular, duas tecnologias das quais sou dependente ao extremo.

Luiz Otávio disse...

Realmente, não vivemos mais sem tecnologia, mas eu gostei da nave espacial do seu taxista, ele deve ser um moço mais jovem, não é mesmo?

Muito engraçada a sua história!

Grande Abraço!

paulrach disse...

Gostei muito da publicação,realmente nós estamos caminhando para o infinito e além ,isso tem lá suas vantagens,mas as desvantagens são superiores.Essa loucura de tecnologia e evolução em tudo que se pode tocar leva o ser humano ao trabalho excessivo para poder ter essas "bugigangas" e obter status,e isso leva o homem ao estresse excessivo e a loucura.
Então umas férias em contato com a natureza e com toda simplicidade da vida é um bom remédio.

joselito bortolotto disse...

Grande Cris, a tecnologia é um verdadeiro paradoxo, enquanto não sabiamos que muita coisa não existia podiamos viver tranquilamente, aos poucos quando elas foram se incorporando em nossas vidas, ficamos dependentes ao extremo, e realmente acredito que como um todo dificilmente iriamos conseguir viver sem tudo que ai está.

Cris Travassos disse...

@ Lú - Você é bem sábia, realmente um passeio fica mais divertido quando encontramos as divertidas mudanças, além disso, se ficarmos dependentes de GPS's e outros aparelhos que não nos fazem pensar, entraremos na velhice desmemoriadas.

@ S.Levy - Era um táxi, tenho certeza, mas o condutor do veículo precisa de todos os aparelhinhos para poder se guiar. Ou seja: ele se guia pelos aparelhinhos para poder guiar o carro. Nossa! Isso foi horrível!

@ Joaquim e Ricardo - Vocês já podem ser considerados dependentes da tecnologia. A abstinência pode ser fatal. Considerem a possibilidade de um final de semana bem acompanhados e longe das traquinanas, mas cuidado com a tentação de atender o celular na hora 'H'.

@ Castro - o seu nível de dependência ainda esta normal, não se deixe enganar por aparelhinhos inúteis, às vezes os compramos e os usamos muito pouco.

@ Luiz Otávio - Devido ao horário e a situação, não pude reparar na idade do condutor, mas, indiferente a isso, não consegui ver utilidade em tanta tecnologia na condução de um táxi.

@ Paulrach - Parece que concorda comigo. As chances de termos uma boa qualidade de vida sem tantos 'trecos inúteis' é possível. A estória é verídica e as fotos fui eu quem as tirou, com a permissão do condutor.

@ Jotabe - A medida em que vão introduzindo novos hábitos em nossas vidas, começamos a lançar mão deles, já que nos facilita e permite que o tempo seja melhor aproveitado, mas o extremo nunca é saudável. Um lindo final de semana em um lugar sem tanta tecnologia, bem acompanhado ou sozinho para meditar é válido.